🤡 - não fumo, não bebo. logo, sou a chata do rolê
Um fato sobre mim que muitas pessoas ficam chocadas ao saber é que eu não consumo nenhum tipo de droga. Não bebo nada alcoólico, não fumo, não cheiro... Enfim, não uso nada. E a maior parte do meu ciclo social também não. Além disso, eu fui obrigada a passar pelo PROERD quando criança.
Com isso, meus "rolês" quase nunca foram em bares. E olha que eu moro do lado de uma cervejaria e o que não falta aqui na minha cidade são bares. Eu nunca senti vontade nem de experimentar, simplesmente é o tipo de coisa que não faz falta na minha vida. E não, não sou do tipo que se acha "superior" por isso (a não ser que você admita pra mim que só bebe pra se sentir aceito socialmente), mas também não tenho saco pra aturar quem simplesmente não aceita essa minha escolha de vida.
Não fumar é até algo tranquilamente aceito em grupos, mas não beber? Não tomar uma cervejinha, um drink? Ao soltar essa informação você é automaticamente bombardeado com:
- Reações extremamente irritantes de quem simplesmente não aceita um "não bebo simplesmente porque não quero": "mas você já experimentou?", "o gosto é ruim mesmo, mas você acostuma", "você só não achou ainda uma que te agrade", "mas você devia começar, eu também não bebia", "eu não sei como você consegue viver sem", "espera passar dos 30 pra você ver" e derivados
- Taxação de ser infantil (se não bebeu, principalmente sendo mulher, é porque ainda é muito bobinha)
Eu sou muito introvertida, mas também sou muito sincera. A sorte das pessoas que me levam para esse tipo de situação é que geralmente são do meu círculo do trabalho, então eu preciso segurar a minha língua às vezes. Uma vez eu joguei um reverso do Uno e perguntei "por que VOCÊ bebe?", e a resposta que eu recebi foi algo como "pra esquecer minha vida de merda". A vontade foi de falar "nem todo mundo tem uma vida miserável", mas só consegui responder "eu não tenho esse problema" e só falei isso porque já conhecia essa pessoa há mais tempo. Não prestei atenção na reação da pessoa.
Mas afinal, qual a dificuldade de aceitar que nem todo mundo precisa de droga pra esquecer as mazelas da vida ou se divertir? Minha vida não é perfeita, mas minha forma de "escapar" por um momento dessa realidade é só diferente. Se eu estiver confortável e tiver sinuca e outros jogos no bar, me divirto horrores mesmo sendo péssima em todos eles. Se tiver música e espaço pra dançar, danço também. Consigo manter conversas e fazer piadas mesmo em um ambiente que não tem nada a ver comigo só com suquinhos naturais (e alguns bares tem até umas misturas de sucos bem gostosas, mas é raro ter opção diversificada assim) ou uma coquinha gelada, apesar de ficar extremamente cansada mentalmente depois.
Eu não julgo tanto assim quem decide ir por esse caminho, cada um sabe de si. Alguns preferem gastar dinheiro com isso, eu prefiro ir para um café superfaturado, ir no cinema, no teatro, gastar com livros ou meus joguinhos. E tá tudo bem.
O segundo ponto que mais me incomoda, além das frases e perguntas irritantes, é o quanto o "rolê" se torna chato pra quem está sóbrio. No início, a galera ainda está um pouco sã, alguns já ficando meio sem filtros (o que até certo ponto é engraçado). Mas e quando todo mundo já está completamente virado? Começam a rir de coisas que não tem graça, começam a falar um monte de merda, derrubam copos e, estranhamente, esquecem completamente a existência de quem está sóbrio. Uma vez teve um "after do after" do trabalho e meu chefe pagou bebida pra todo mundo, ninguém me ofereceu um suco, uma coquinha gelada, uma água que fosse. Ele não era obrigado a nada, mas naquele momento percebi que esse "after do after" não era pra mim e fui embora de fininho (e duvido muito que alguém tenha percebido minha ausência). Nesse mesmo dia, eu já tinha ouvido e visto tanta coisa de colegas de trabalho que até hoje é estranho falar com alguns deles fingindo que não lembro de nada...
No final, os chatos do rolê acabam sempre sendo os que denominam os sóbrios de chatos. Que ironia!
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