💼 - em algum momento trabalhamos com o que gostamos?

Eu sempre ouvi que se você decide (e consegue) trabalhar com aquilo que gosta, acaba não gostando mais em algum momento. Aquilo que antes era interessante, que era um hobby, se torna sinônimo de cobrança e estresse. Quando entrei na minha área foi simplesmente por um motivo como esse: programar era legal. Hoje em dia, se penso em mexer com código fora do ambiente de trabalho bate uma preguiça e falta de vontade, até mesmo quando envolve em mexer no layout aqui do blog. Confesso que deixei meu TCC da faculdade a nível de protótipo justamente por isso. Eu não tenho mais saco para desenvolver algo no meu pouco tempo livre.

Atualmente, eu acabo atuando muito mais em desenvolvimento, mas não porque é algo que gosto de fazer, foram as oportunidades que tive. No meu último estágio pude atuar em uma área um pouco diferente, mais focado em infraestrutura. Gostei bastante e até me interessei pelas certificações. No entanto, meu estágio acabou e não tinha espaço para continuar ali naquele momento. Quando comecei a procurar emprego, tentei mirar justamente em vagas com esse mesmo foco. Infelizmente, por não ter muito de júnior, eu precisava mirar também em outras para diminuir as chances de passar mais tempo desempregada.

Um belo dia, no meio de alguns processos seletivos, fui convidada a voltar para a mesma empresa desse último estágio. A vaga era no mesmo time, mas com atuação diferente, ou seja, eu não iria voltar com foco em infraestrutura, não ia mais fazer o que fazia. Isso me pegou muito porque eu estava quase sendo chamada para uma vaga que era justamente o que eu estava buscando. As entrevistas foram muito boas porque estavam querendo alguém que tivesse exatamente a experiência e vontades que eu tinha. Precisei colocar muito na balança.

Enquanto de um lado eu teria uma empresa totalmente nova, sem conhecer ninguém, salário possivelmente mais baixo, mas uma atuação totalmente voltada para o que eu queria, de outro, eu tinha uma empresa que já conhecia, já tinha contatos, o salário era ok, mas uma atuação voltada para desenvolvimento de novo.

Infelizmente o mercado de trabalho é um jogo de estratégia e precisamos tomar escolhas baseadas em muitos fatores. Acabei aceitando voltar, mas todos os dias fico me perguntando se tomei a atitude correta. Será que valeu a pena abrir mão dos meus gostos pessoais para jogar de acordo com as regras? Hoje tenho uma boa oportunidade do ponto de vista CLT, mas não trabalho com o que gosto. Ainda quero fazer as certificações e continuar estudando, mas sei que isso não vai ter lá tantas contribuições para o meu avanço profissional agora.

Analisando o ambiente e meus colegas, tenho a impressão que quase ninguém ali trabalha realmente com o que gostaria, alguns já me disseram que não gostam nem de tecnologia, mas foi o caminho que a vida deu como oportunidade para seguir e "dá pra pagar as contas". Será que a vida sempre vai ser assim? Fingir que gostamos do que fazemos simplesmente porque precisamos de dinheiro?

Comentários

  1. terminando a leitura com crise existencial HAHAHA

    a ironia é que eu cansei de só pagar as contas e agora mudando de área espero gostar pelo menos um pouco do que irei (espero) fazer 😂

    mas no fundo é isso, tem o que esperamos dentro do que gostamos e tem o que o mercado permite no momento. talvez futuramente, enquanto autônomos, a gente possa ter o luxo de fechar contratos focando não apenas as contas mas assuntos que nos identificamos mais também 😊

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  2. muito pertinente eu ter lido isso hoje, porque era exatamente o que eu estava pensando. voltei para a faculdade com um curso que passei na reopção que é pedagogia. não é algo altamente difícil, mas não é algo que eu gosto. fui com o pensamento de que sendo professor, jamais estaria desempregada. por causa do meu medo do futuro. mas com certeza não é o que eu gosto. e todos os dias eu acordo não querendo fazer isso.

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