🧠 - evitando que meu cérebro fique lisinho
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Diante de tanto caos na vida (inclusive feliz 2026), a minha vida fica bastante travada devido à ansiedade. Em pouco tempo, eu já pude sentir: meu cérebro estava começando a ficar lisinho. Como assim lisinho? Atrofiando, emburrecendo (?). Como se estivesse fazendo assim com ele:

Sempre fui o tipo de pessoa que não consegue ficar muito tempo sem novos desafios, sem aprender coisas novas, sem uma rotina que demande pelo menos um pouquinho de mim. Por isso, até quando tenho férias preciso tirar pouco tempo, no máximo uns 15 dias, se não começo a ficar doida da cabeça. E também não sei se é a idade (25 anos), mas às vezes me sinto meio burrinha, que não sei muito das coisas e querendo saber muito sobre elas. Do tipo, sinto que não li todos os livros que gostaria de ler, não conheço o nome de todas as constelações ou ainda não ter me tornado poliglota. E o tempo livre para conseguir fazer essas coisas só diminui com a vida adulta.

Eu comecei a querer ainda mais me tornar uma pessoa mais "culta" graças a um ex colega de trabalho. Ele é uns 10 anos mais velho do que eu e a gente conversava bastante sobre diversos assuntos aleatórios no final do expediente (e às vezes durante também), e eu ficava um tanto encantada com a quantidade de coisa que ele sabia sobre assuntos que eu gostava. Eu acho que tinha um pouquinho de ChatGPT em algumas das respostas (provavelmente ele usava pra ajudar a lembrar algumas coisas antes de me responder), mas ele realmente já tinha lido sobre vários assuntos e a leitura parece fazer parte da vida dele de forma um tanto quanto sagrada. Assim como eu, ele disse que não consegue ficar muito tempo parado e queria saber sobre tudo, mesmo sabendo que isso é impossível.

Além disso, estudar para mim, infelizmente, virou sinônimo de conquistar algo, como um diploma, nota ou resolver um problema no trabalho. Quando a noção que se tem de estudo é somente essa, parece que sempre tem que envolver anotações em um caderno, decorar conceitos e datas, estar preparado para um questionário surpresa. Isso tem matado totalmente meu gosto por estudar simplesmente porque acho legal aprender coisas diferentes sem enxergar isso como um meio para um objetivo específico ou forma de fazer dinheiro. Some isso também ao capitalismo corroendo minha mente e fazendo achar que tudo que eu faço deve gerar valor, e não diversão.

Tentando nadar contra essa corrente, eu comecei a fazer algumas coisas diferentes que tem me ajudado a enxergar cores novamente na vida e na curiosidade que há dentro de mim. Algumas bem aleatórias por sinal.

Depois de muitos anos, instalei novamente o Anki, que é um programa para fazer flashcards, basicamente. Há diversos baralhos feitos pela comunidade e muitos deles bem interessantes. Baixei um de Libras, Japonês, Artes e Geografia. Até alguns dias atrás eu não sabia nem como era a letra A em Libras, e agora eu já sei quase o alfabeto inteiro. Sempre quis aprender Japonês, mas não tinha saco para ficar passando por apostilas como se estivesse em um curso de idiomas. O baralho de Artes está me fazendo conhecer obras e suas histórias que não conhecia, bem como artistas. O de Geografia é o mais aleatório de todos, me fazendo aprender a capital de lugares que eu nem sabia que existiam. E percebam que em momento algum falei de decorar ou memorizar! Faço no meu ritmo, sem pressa e sem cobrança, o próprio sistema do Anki faz você revisar ao longo do tempo e se você quiser fazer isso. Já fiquei com vontade de criar um baralho das constelações, paradoxos e outras coisas mais.

Voltei a ler mangás, estou lendo biografias e assistindo vídeos sobre assuntos que considero densos demais para ler no momento. E tudo sem pressa, sabe? Vão ter vezes que vou conseguir fazer tudo isso junto e misturado, outros que só rola uma vez na semana... O importante é manter uma mínima constância para lembrar meu cérebro que ainda há muitas coisas novas a serem descobertas.

 

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